Autista, TDAH, trans, agênero, não-mono, praticante de BDSM, mestranda
Futura doutoranda
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Autista, TDAH, trans, agênero, não-mono, praticante de BDSM, mestranda
Futura doutoranda
KINK E O PÂNICO MORAL
Era uma vez uma pessoa que praticava algo SSC ou RACK ou PRICK e entre adultos, mas mesmo assim, sempre ouvia reclamações dos outros e não entendia o motivo.
Foi quando percebeu que existia algo chamado pânico moral, algo que essa pessoa nunca havia cogitado e quando ela foi pesquisar, descobriu que era qualquer coisa que saísse do que a sociedade considerava normal.
O que ela fazia não era normal? Ela deveria parar de fazer? O que é normal? O que é anormal?
Tudo isso passou na cabeça dela, mas ela entendeu que parar de fazer não era uma opção, porque isso dava prazer, isso era bom, ela sabia que se usasse a palavra de segurança ou o gesto de segurança, tudo acabaria e voltaria ao normal. E acima de tudo: isso era um estilo de vida.
Com tudo isso bem colocado, ela decidiu que não pararia de jeito nenhum, que o kink continuaria com ela até o final e que todo aquele pânico era bobagem e desnecessário.
Talvez você seja essa pessoa, então saiba que seu prazer, sua felicidade, seu estilo de vida, jamais deve ser pautado em um pânico moral, mas sim no que você gosta e faz de forma segura, entre adultos e com consentimento.
BDSM é delicioso e você tem total direito de ser feliz, de ter prazer, de viver seu estilo de vida, não se esqueça disso nunca, porque quem não é, nunca vai entender.
E já deixo claro que nesse perfil, todo kink é bem-vindo, independente do que eu goste ou não, porque não é sobre gostar, é sobre entender que algo feito de forma SSC, RACK ou PRICK, entre adultos e com palavra de segurança ou gesto de segurança, não tem motivo para ser um erro ou algo ruim. Se eu praticaria qualquer kink? Não, mas isso não importa aqui.
O que importa é se não é feito com menores de idade, se não sai das formas de segurança, se tem palavra/gesto de segurança, só. O resto? É resto.
VALE A PENA ESTUDAR SOBRE SEXUALIDADE?
Vale.
O texto poderia acabar ali, mas a verdade, é que demora para a gente ter coragem de estudar sobre isso, porque vai sempre aparecer alguém falando que estamos usando dinheiro público para algo inútil, mas a verdade é que vale a pena e muito.
Dane-se o que falam sobre isso, a gente precisa e deve ser contra esse CIStema que odeia qualquer coisa que não seja pura, porque o puro é só um jeito da sociedade controlar os corpos de quem sai dos padrões.
Se você é uma pessoa gorda, uma pessoa que não é branca, uma pessoa trans, uma pessoa intersexo, uma pessoa que não é hétero, uma pessoa que não é vista como bonita e outros padrões que a sociedade impõe, vão tentar dar um jeito de controlar seu corpo.
E qual é a melhor forma de controlar seu corpo, que não impedindo você de falar sobre sua sexualidade? De impedir que você mostre sua sexualidade? De impedir que você encontre seus iguais?
Sua sexualidade importa muito e você deve sempre falar sobre isso, mostrar sobre isso, encontrar seus iguais.
Nunca deixe sua sexualidade ser vista como algo ruim para que o puro seja o ideal, e acima de tudo, adore seu corpo e a sua mente, é assim que a gente vai quebrar esse ideal da pureza.
Sem os estudos, há repressão e quando a repressão chegar em todo mundo, será tarde demais para voltarmos atrás.
Esse conteúdo é feito pensando em pessoas maiores de idade, que já podem explorar suas sexualidades de forma explicita e sem problemas com mídias, aqui não falo sobre sexualidade na infância e na adolescência.
MEDO DE SEXO
Não pode música com conteúdo sexual
Não pode cena de sexo em filmes
Não pode cena de sexo em séries
Não pode cena de sexo em livros
Não pode falar sobre sexo
Não pode trabalhar com sexo
Não pode fazer sexo casual
Não pode pornografia
Não pode BDSM erótico
Não pode nudez
Não pode tirar nudes
Não pode gravar vídeos pornográficos
Não pode sexo
A verdade é que essa ideia de que sexo é algo ruim atrapalha a vida de todo mundo.
Devemos fazer sexo só pela reprodução, eles dizem. Só que e se a pessoa não quer se reproduzir? Ela não transa? Ela vive pra sempre em um celibato forçado? Claro que não, ela vai transar e vai morrer sem deixar nenhuma pessoa nova no mundo, porque ninguém tem a obrigação de ter filhos.
Se você não faz sexo, você é doente, eles dizem. Só que e se a pessoa tem repulsa? E se a pessoa não quer fazer sexo? E se a pessoa tem traumas envolvendo sexo?
É uma contradição, afinal, você deve viver no celibato forçado até querer se reproduzir, mas se você não quer fazer sexo por qualquer motivo que seja, aí você tem que transar, senão é doente.
Você pode e deve ter seu direito de escolher se quer ler algo com sexo ou não, se quer escrever algo com sexo ou não, se quer ouvir algo com sexo ou não, se quer falar sobre sexo ou não. O que você não deveria, é ter a obrigação da pureza por causa de uma sociedade que preza pelo puro.
Além disso, devemos sempre lembrar que sexo é bem diferente de estupro. Estupro é sobre o poder que o estuprador tem em cima da vítima e permite que ele faça algo sem o consentimento da vítima, e isso pode ser feito com pênis, vassoura, dedos, boca, brinquedos sexuais etc, tem várias formas de isso acontecer. Sexo é sobre um ato consentido e que envolve o prazer de pelo menos uma das partes (nem todo mundo que faz sexo vai sentir prazer com isso, mas pode sentir prazer em causar prazer).
Se um assassinato com uma pá em um jardim não é jardinagem, então estupro não é sexo.
É importante lembrar que adolescentes podem fazer sexo, ainda que o ideal seja entre adultos por questões de responsabilidade que adolescentes ainda não têm e vão desenvolver ao longo da vida. Mesmo assim, adolescentes não podem praticar BDSM, seja ele erótico ou não.
BDSM só pode ser feito entre adultos e com SSC, RACK ou PRICK, sempre com palavra de segurança e/ou gesto de segurança. Qualquer adulto que diz praticar BDSM com um menor de idade, é um baita de um sem noção.
E eu me pergunto: quem ganha com esse medo do sexo? Será que é a igreja? Será que é o capitalismo? Será que é o conservadorismo?
MÉTODO HORMONAL
Você coloca o DIU e falam que você vai engravidar com ele
Você coloca o Implanon e falam que você vai engordar com ele
Você usa o anel/adesivo e falam que não confiam nele
Você usa pílula e falam que faz mal pro corpo a longo prazo
Você usa a injeção e falam que vai acabar com seu corpo
Aí você para de usar pensando em uma laqueadura e falam que não é certo, porque o seu papel na vida é reproduzir
Aí você para de usar pensando em engravidar e falam que não é a hora
Aí você para de usar e engravida, por causa da pressão social de usar método hormonal, e te culpam.
O que você precisa saber? Nenhum método hormonal faz mal para todo mundo, isso não existe, porque se isso acontecesse, nenhum método hormonal seria vendido.
“Mas tem muito hormônio”
Mentira. Tem menos de 1g de hormônio por mês.
“Mas a bula é enorme”
Sim, mas é porque ela precisa te ensinar a usar e precisa ter os efeitos colaterais sem esquecer de nenhum.
“Mas os efeitos colaterais”
Já leu os efeitos colaterais de todos os remédios que você já usou ou você fala isso só dos métodos hormonais? Todo remédio vai ter efeito colateral e tá tudo bem, o que não tá tudo bem é aceitar esse efeito colateral depois de 6 meses e no máximo até 1 ano de uso.
“Mas eu tive efeitos colaterais fortes”
Mas aí é você, não é por isso que você pode falar bosta do método, senão, ninguém usaria método nenhum.
“Mas a camisinha”
Sim, ela é importante, mas não significa que a pessoa precisa usar só ela.
“Mas nenhum é 100% eficaz”
Existem formas 100% eficazes de transar e não engravidar: fazer anal, fazer oral, usar os dedos, usar brinquedos sexuais
Além disso, se você não tiver útero e ovários também não engravida
Por fim, não transar de jeito nenhum não engravida
Qualquer coisa fora isso tem chance de engravidar, mas eu prefiro confiar em menos de 1% do que ficar a vida toda com pavor.
Já deu pra entender que isso é bobagem né?
Use seu método hormonal, viva em paz e seja feliz com seu método. E claro, lembre-se:
DIU de cobre precisa ser trocado depois de 10 anos
DIU Mirena precisa ser trocado depois de 8 anos
DIU Kyleena precisa ser trocado depois de 5 anos
Implanon precisa ser trocado depois de 3 anos
Pílula, adesivo, anel, injeção mensal e injeção trimestral podem ser usados até quando você quiser desde que seja antes do climatério.
Pílula do dia seguinte é um método de emergência, não use se você usa: DIU (qualquer um), Implanon, pílula, anel, adesivo, injeção mensal, injeção trimestral. E se você não usa nenhum deles, se a camisinha não sair durante o ato e/ou não estourar. Se precisar, é no máximo 3 por ano, mais do que isso perde a eficácia e ainda por cima vai ter muito hormônio no seu corpo.
NÃO SINTA CULPA. SINTA PRAZER. SE DIVIRTA
Quando pensamos em ver pornografia, em ouvir pornografia em áudio, em ler hentai, em ler livros explícitos, em jogar algo explicito, em mandar ou receber nudes, em praticar nossos kinks, nós sentimos culpa.
Por que culpa? Afinal, o que estamos fazendo de errado?
Estamos indo contra o sistema que nos obriga a ser puros, para que o sexo seja apenas para reprodução humana e só, nada de prazer, nada de testar kinks, só gravidez.
A culpa nunca deveria existir, porque se é entre adultos ou com adultos atuando, com segurança e consentimento, por que seria ruim?
O ruim só deve ser visto como tal, se, e tão somente se for ruim, se não seguir nenhum tipo de segurança, se não tiver consentimento, se envolver menores de idade, caso contrário, não é ruim.
Tentaram nos fazer acreditar que o certo é só quando seguimos a nossa função de gerar uma vida, de que qualquer coisa fora isso é um desvio e por isso deve ser impedido.
Ser contra a norma é entender o quão bom pode ser o sexo, pode ser aquele pornô, aquele livro, aquele hentai, aquele jogo, aquele áudio, aquele nude, aquele kink.
Não aceite que roubem a sua identidade, os seus desejos, o seu prazer, por causa de uma norma que só serve para colocar mais gente em um mundo que está horrível e precisa de mudanças antes de qualquer outra coisa.
Goze muito, sente muito, engole muito, molhe muito, marque muito, mande muito, grave muito, veja muito, leia muito, jogue muito, pratique muito.
FAMÍLIA ADDAMS E BDSM
Por mais que dê vontade de fingir que Família Addams não tem nenhuma relação com BDSM, a verdade é que mesmo não tendo nenhuma confirmação do autor, tem bastante coisa que a gente pode destrinchar.
Começando pelo casal maravilhoso da Mortiça com o Gomez, ele claramente tratando ela como uma deusa, fazendo de tudo por ela e ela claramente adorando isso e é possível perceber o quanto eles adoram algo mais kink na relação. O fato também dele adorar dor e ela saber disso e se aproveitar disso, de forma boa, já é outro sinal. E claro, ele amar receber ordens dela.
Se eles usassem internet, eu não duvidaria que o Gomez usaria letra maiúscula para se referir a Mortiça: “Ela é a mulher da minha vida, eu sou todo Dela, não sei o que eu faria sem Ela”, algo parecido. E claro, enalteceria ela todos os dias, assim como ele já faz fora da internet.
As roupas que eles usam, mesmo que sejam em um estilo gótico e tudo em preto e branco, também são bem populares no meio BDSM. É comum usar roupas pretas, saltos, couro, ou seja, roupas mais “pesadas” do que se usaria no dia a dia. Mas, claro, nem todo mundo dentro do meio só usa roupas pretas, há quem goste de roupa colorida e se sinta bem com isso.
Aliás, a casa deles ser toda preta, cheia de objetos que podem causar dor, o fato de ter personagens que mexem com facas (knife play), o fato de que é comum gostar da dor, o fato de que é comum aceitar ordens de mulheres (femdom), tudo isso deixa bem claro o quão BDSM essa família é.
Não só, como temos uma mão que é um personagem e que tem vida própria, mas é inegável que a Mãozinha poderia fazer outras coisas, ainda que isso não seja mostrado por ser uma obra que não se propõe a ser explicita, só sugestiva em alguns momentos.
Há também a questão de ser claro os limites de cada um, não ultrapassando e quando percebem que algo pode dar errado, há uma pausa e uma conversa ou há uma tentativa e tudo acaba em felicidade no final.
A ideia de uma família que é fora do padrão e que gosta disso, sem ver motivo nenhum em mudar, pode ser também vista como uma subversão. Família Addams não seria a mesma coisa se fizessem parte de um padrão, não teria a graça, o amor, pois ainda que não seja sobre BDSM, é possível notar essa questão do amor no casamento, algo que até hoje é motivo de piada entre homens cis que vão casar (tenho algumas ressalvas ao casamento, mas não acho certo essas piadas).
SEXO NÃO É RUIM
A gente vê uma onda de pessoas tratando sexo como algo ruim, como se transar fosse acabar com a sua vida, mas não é bem assim.
Primeiro de tudo: por que seria ruim?
Há uma ideia de que a pureza é a correta e se você não for puro, então fez tudo errado, logo, sexo casual é ruim e você só deve transar se for em um namoro ou casamento.
Não só, como existe a ideia de ficante, um rótulo que existe naqueles que se dizem monogâmicos, no qual se não estiver em um namoro ou casamento e quiser algo sexual, deve aproveitar com o ficante e tão somente com ele. Quando se tem mais de um ficante, já é visto como ruim e que deve podar para impedir que transe com várias pessoas diferentes.
O único problema de transar com mais de uma pessoa é não usar camisinha, só. Se você preza pela sua segurança, use camisinha, faça testes de ISTs, tome as vacinas, e para uma segurança maior contra gravidez, use algum método hormonal ou não.
Está se cuidando? Então vai fundo e aproveita, afinal, você não é uma pessoa ruim, não deixa ISTs passarem ou não se preocupa se pegou alguma ISTs por ter remédios hoje em dia.
Se não é um problema, como acabar com a culpa que nos criam desde sempre?
Lembre-se que seu prazer importa mais do que sentir uma culpa involuntária, se você gozou, se você aproveitou muito bem, se você se divertiu, então não tem motivo nenhum para se culpar, combinado?
Sempre conheça a pessoa antes de transar, porque não tem nada pior do que alguém bom de cama e ruim de personalidade, então pesquise sobre a pessoa, pergunte para amigos, mande prints para os mesmos amigos no caso de uma suspeita e aí sim se divirta.
E nudes?
Manda em visualização única se não conhece a personalidade da pessoa e se a pessoa te obrigar a mandar sem visualização única: corra, é um erro.
Saiba como tirar a foto, porque mandar um pau mole ou uma foto em um ambiente muito escuro e sem definição, vai transformar seu nude em uma coisa horrorosa.
Não manda nudes se for de menor, não importa se tiver 17, não manda. Você deve esperar até seus 18 anos e aí sim, troca nudes, aproveita a vida.
Como eu descubro se a pessoa presta?
Pergunta pra ela sobre seu fetiche mais esquisito, se ela desistir de você, pronto. Se ela te obrigar a mandar nude sem visualização única, corra. Se ela não quer usar preservativo, corra. Se ela zomba dos kinks e fetiches alheios, corra. Se ela acha que só mulher pode ser submissa e só homem pode ser dominador, corra. Se ela acha que age play é pedofilia, corra. E sempre pergunte se ela tem um relacionamento fechado, porque você não quer virar amante de uma pessoa desonesta.
É também de suma importância procurar o nome na internet, mandar print do perfil para amigos, ver até que ponto ela chega com você e como ela reage em relação a menores de idade. Se ela acha normal ficar com quem tem 17 e ela já tem mais de 20 anos, é um sinal muito vermelho e você deve bloquear e avisar outras pessoas sobre essa desquerida.
Mas e no BDSM?
Pergunta sempre sobre a palavra de segurança, sobre até que ponto uma relação D/s pode chegar, sobre até que ponto um top/bottom pode ir, sobre estudar BDSM, sobre age play, sobre limites no sadomaso.
Além disso, sempre deixe bem conversado sobre seus limites e a pessoa deve aceitar seus limites, se a pessoa ficar te convencendo de que compensa ultrapassar, então tire print e bloqueie.
De qualquer forma, sendo BDSM ou baunilha, não sinta culpa nenhuma por transar com alguém com quem não namora ou não é casada (em relacionamentos fechados). Sua vida sexual nunca deve ser pautada em uma culpa que nunca deveria existir quando os cuidados básicos acontecem e você sabe bem que tá tudo certo.
Se diverte, transa gostoso e sinta prazer como você merece.
BDSM NÃO TEM MENOR DE IDADE
Quando éramos de menor, já sentíamos algo diferente, nem todas as dores eram ruins, nem sempre achávamos ruim dar ordens ou receber ordens, tinha até momentos em que o ato de ficar preso era gostoso.
Só que isso não é BDSM, afinal, menores de idade não praticam BDSM, pois mesmo que sintam esses desejos, eles não entendem que BDSM é sobre responsabilidade, sobre afeto, sobre respeito, sobre diálogo, sobre consentimento e sobre manter todo mundo seguro na medida do possível.
Menores de idade podem entender que responsabilidades existem, que devem respeitar o outro, que conversar é importante, mas ainda é uma fase de descobertas e é importante não adiantar esse crescimento em troca de um possível prazer.
“Mas e adultos que não consentem?”
É uma pergunta bem complicada, porque o que seria não consentir? Seria não ser oralizado? Seria ter momentos de mutismo seletivo? Seria um desenvolvimento diferente da mentalidade por conta de uma deficiência? Seria um adulto que bebeu demais e ficou vulnerável? São muitas camadas que precisam de atenção.
Adultos que não são oralizados podem consentir, porque não significa que eles sejam vulneráveis, só significa que eles não falam igual nós. Inclusive, seria falar que surdos não oralizados são vulneráveis por causa disso, logo, é preciso entender que oralizado não equivale a poder consentir.
Ter momentos de mutismo seletivo também não é motivo para considerar alguém como vulnerável, porque a pessoa apenas não consegue oralizar em determinados momentos, e ela tem plena consciência dos atos que faz e que recebe.
Já um desenvolvimento diferente por causa de uma deficiência é mais complicado, afinal, a pessoa pode continuar entendendo e consentindo, mas há quem não possa. A não ser que haja o entendimento de que ela pode consentir, então ela pode praticar, mas se for comprovado que ela é vulnerável, então não.
Por fim, beber demais e ficar vulnerável é um grande empecilho, porque ela não vai saber os próprios limites e a não ser que seja combinado, não é bom continuar. Esperar esse estado passar é o ideal.
E adolescentes podem consentir entre eles, mas um adulto que já tem o entendimento sobre isso e diz que pratica BDSM com um adolescente, aí não é certo. O adulto sabe que é errado, ele faz mesmo assim e finge que não é um problema, logo devemos nos distanciar dessa pessoa e pronto.
Adolescentes não praticam BDSM entre si e não praticam com adultos e aí não importa se querem fazer ou não, se gostam daquilo ou não, se já entendem sobre seus fetiches e kinks, porque não tem tudo que precisa.
BDSM envolve muito mais do que só amarrar, dominar, ser submisso, gostar de dor e gostar de causar dor. Quando os jogos envolvem a mente, é preciso ter um aftercare muito mais valorizado e deixar qualquer pessoa em um estado ruim depois da sessão, mas fingir que nada aconteceu e ir embora, é um péssimo sinal.
Além disso, há práticas mais complexas, como uso de fogo, uso de facas, uso de chicotes com metal, 24/7, CNC etc, então fingir que não existe um estado mental e físico que pode afetar as duas partes, é pedir para ter problemas que muitas vezes adultos cometem, quanto mais adolescentes.
Mesmo assim, não acho que adolescentes devam ser privados de tudo, eles podem e devem pesquisar se for do interesse deles, não por causa de um adulto que diz praticar BDSM com menores de idade e nem por acharem que praticarão BDSM ainda de menor.
Estudar desde antes impede que erros aconteçam na vida adulta, então, estudem e muito. Mesmo você, adulto, estude e muito, e entenda que mesmo sendo adulto, você não deve deixar ninguém ultrapassar seus limites, sempre faça tudo no SSC, PRICK ou RACK, ok?
E você, adolescente, estude e espere o momento certo. Não precisa ir com tudo por causa de um impulso, não vale a pena, e isso vindo de uma adulta que “praticava BDSM" aos 16.
BDSM NÃO COMBINA COM A MONOGAMIA
A primeira coisa que todo praticante de BDSM deve saber, é que BDSM é uma contracultura, ou seja, podemos e devemos questionar e subverter o que é considerado como normal.
E isso diz muito sobre a monogamia, pois quem já leu o texto sobre não escolher ser monogâmico e não existir relacionamentos monogâmicos, sabe bem que é uma imposição do sistema e é por isso que BDSM não combina com a monogamia.
Homens cis não detém todo o poder no BDSM, inclusive podem ser dominados, ser masoquistas, praticarem bondage nos seus corpos, serem disciplinados e várias outras práticas que estão dentro do BDSM.
O bottom pode ter poder e realizar contratos, e na sociedade monogâmica, quem não tem o poder ou pode estar embaixo, nunca vai tomar as decisões por não ser aceito. Em compensação, o top pode deixar essas tarefas para o bottom, ou até mesmo pedir para que o bottom faça isso.
Na sociedade não é aceito que haja uma negociação de poderes, somente o homem cis pode usufruir deles e usá-los em cima de qualquer outra pessoa, mas no BDSM não existe relação sem negociação de poder, existe fetichismo sem negociação, mas não existe BDSM.
É também de suma importância termos limites, mas é socialmente aceito que dentro de um relacionamento entre duas pessoas envolvendo amor romântico, o fazer qualquer coisa. Não quer transar? Não importa, afinal, o que importa é o prazer do outro e as vontades do outro. Não quer fazer comida? Não importa. Não quer realizar os desejos do outro? Não importa. Já no BDSM, qualquer limite ultrapassado é uma grande bandeira vermelha.
Entendemos que é importante ter muito cuidado com tudo no BDSM, afinal, não há o mínimo de segurança sem cuidados, não há algo são sem cuidados, não há algo consentido sem cuidados. Pode parecer que não há nenhum cuidado dentro de sessões, afinal, há várias práticas que não são socialmente aceitas, mas sem isso, o BDSM não existe.
Quando tudo isso é dito, percebe-se a importância de distanciar o BDSM da monogamia, afinal, a monogamia impõe possessividade, hierarquia, obsessão, o homem cis acima de todo mundo e se é imposição, não há espaço para questionamentos e reflexões, o completo oposto do BDSM.
Hierarquias podem acontecer no BDSM? Sim. Relações D/s, relações de Dono e posse, relações de TPE, relações 24/7, entre outras, vão ter a hierarquia. Agora, o BDSM por si só não tem essa hierarquia, afinal, o BDSM não é só sobre D/s, é sobre bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo, ou seja, o D/s é uma parte dele.
Além disso, é muito importante entender que a existência de hierarquias não significa que você não pode questionar dentro da hierarquia, senão para de ser BDSM. Você sempre deve poder perguntar, conversar, acabar com a relação, impor novos limites, porque é o mínimo e se o top/bottom não admite isso, você deve sair disso o quanto antes.
Possessividade e obsessão não devem ser aceitos, se quer te tratar como uma posse sem limites, sem negociações, sem o mínimo, então acaba por aí. Se acha que você não pode ter outras pessoas, outros relacionamentos, apenas aquela hierarquia, apenas aquela relação, corra também e o quanto antes.
A linha entre BDSM e relacionamento abusivo é difícil de perceber no começo, mas quando você nota que a pessoa não liga mais para SSC/RACK/PRICK, nem mesmo se você é de maior ou não, então você entrou em um relacionamento abusivo e deve correr dele antes que seu psicológico seja destruído.
Hierarquias não são obrigatórias no BDSM. Top ser o único com poder não é obrigatório no BDSM. Homem cis ser o único com poder não é obrigatório no BDSM. É uma contracultura e deve ser aceita como tal.
BDSM NÃO DEVE TER REGRINHAS, APENAS PILARES
Parece estranho ler esse título e eu entendo, mas regras são diferentes de pilares, pois sem regras o BDSM funciona, mas sem pilares ele cai.
Quais são os pilares?
SSC/PRICK/RACK, entre adultos e com palavra de segurança.
Quais são as regrinhas que inventam?
Obrigatoriedade de hierarquia, todo mundo vai ser D/s, toda pessoa top é dominante e sádica e toda pessoa bottom é submissa e masoquista, homens são top e mulheres são bottom, para ser masoquista tem que ser sub e para ser sado tem que ser dom etc.
A verdade é que por mais que queiram te obrigar a fazer algo, não é uma realidade. BDSM é uma contracultura, logo não é sobre regras, é sobre pilares, já que ninguém deve ter sequelas por causa de práticas e BDSM não deve ser um meio de traumatizar pessoas.
Falar que regrinhas são ruins, não significa que é um neo-BDSM, nem que somos apenas fetichistas, mas sim que entendemos a pluralidade do BDSM e como ele foi construído por pessoas que valorizavam essa diversidade de práticas e de formas de praticá-las.
Nós não devemos nos importar se:
A pessoa é sádica e submissa
A pessoa é masoquista e dominante
As pessoas praticam de forma virtual
A pessoa só pratica bondage
Não tem hierarquia por não ter D/s
O bottom tomou atitude
Nós devemos nos importar se:
Há preconceito (racismo, machismo, LGBT+fobia, capacitismo etc)
Não seguiu SSC/PRICK/RACK
Fez sessão com menor de idade
Não tem palavra de segurança
Não respeitou a palavra de segurança
A pessoa diz que não tem limites
Tudo isso, porque entender que o BDSM inclui mais do que exclui é o mínimo, afinal, os mais velhos estavam na stonewall lutando do lado de pessoas LGBT+ que pediam direitos. Não só isso, fetichistas (dentro e fora do BDSM) não são aceitos na sociedade, assim como minorias não são e por isso tendem a se unir em prol de algo em comum, a falta de inclusão.
E é pelas regrinhas que novatos desistem do BDSM, é pelas regrinhas que criamos intrigas no meio, é pelas regrinhas que cansamos de falar sobre assuntos com medo de pessoas chatas aparecerem e reclamarem. De fato, pode discordar, mas não deve brigar ou insinuar que o outro não pratica BDSM apenas por fazer de forma diferente.
Se você obriga os outros, você já perdeu de vista o que deveria te divertir no BDSM. Se você considera que várias pessoas não praticam BDSM por não fazerem um beabá que você considera obrigatório, então você também já perdeu de vista a melhor parte do BDSM.
A melhor parte do BDSM é a diversidade, a pluralidade, as várias formas de praticar bondage, disciplina, dominação, submissão e masoquismo.
SMUT É PORNÔ ESCRITO
Mentiras como “pornô vicia”, “pornô é um problema para mulheres” e coisas parecidas, apenas atrapalham a vida de quem escreve smut, hot etc, porque a gente esquece, mas literatura erótica é um pornô escrito.
“Mas pornô não tem sentimento e a escrita tem”, sim, porque no pornô não vai ter tempo de desenvolver uma história toda bonita para a leitura. Agora, se você pensar bem, existe conteúdo escrito que é só sexo e tudo bem.
A gente precisa parar de demonizar tudo que é sexo explicito, afinal, pessoas praticam sexo explicito, não sexo que é todo floreado e cheio de perfeições e nuances incríveis. Sei que dá para ter aquele romancezinho antes do sexo, mas sendo bem sincera, é sempre? Toda vez que você transa, você tem um senhor romance com a pessoa com que você vai transar? Difícil né.
Se eu escrevo um hot/smut cheio de putaria, se eu escrevo um hot/smut mais leve, se eu leio um hentai, se eu vejo um hentai, se eu ouço um pornô, se eu vejo um pornô, tudo isso é putaria e pode ou não ser super explícito.
“Mas você começou falando que pornô não vicia”, sim, porque quando a gente começa com essas mentiras, recai em todo conteúdo erótico/pornográfico, seja ele explicito ou não. E não existem pesquisas boas que confirmem esse vício, pode existir uma compulsão, mas vício não (e sim, vício e compulsão são duas coisas diferentes, no caso, vício é quando altera sua mente e você não consegue mais ficar sem, tendo sintomas e precisando até de medicação. E compulsão é algo psicológico, envolvendo comportamento) e não importa se você assiste todo dia, assiste várias vezes por dia, se você bate uma toda vez que assiste: não é vício.
vício a gente tem por outras coisas (drogas, álcool, apostas etc), mas não por pornô, por hot/smut, por hentai. Se você está consumindo em excesso e sente que isso está te atrapalhando, seja com qualquer coisa, procure ajuda psicológica, não fique tentando resolver sem ajuda.
Ok, mas afinal, qual a diferença entre erótico e pornográfico? Um é socialmente aceito, o outro é demonizado. Qualquer conteúdo explicito que seja socialmente aceito é chamado de erótico e qualquer conteúdo que seja demonizado é chamado de pornográfico?. Não tem uma diferença no geral, igual tem a ideia de que pornográfico é o mais explicito e erótico é o mais leve, porque tem muito livro erótico mais pesado do que pornografias visuais.
Dito isso, hot/smut ainda são pornografia, e não, falar isso não é diminuir a feminilidade daquelas que consomem, transformando em um objeto ruim, mas sim mostra que precisamos abolir essa ideia de que o pornográfico é sempre ruim.
“Mas e as pessoas que sofrem na criação de conteúdo pornográfico?” Elas existem, mas é preciso entender que qualquer indústria no capitalismo vai ter isso. Nós conhecemos várias cantoras que sofreram crimes horríveis, atrizes também, até mesmo no meio da escrita isso existe, então por que o foco só no pornô? Só naquilo que é sexual? Só por ser mais fácil de demonizar algo que é sexual?
“E sobre as mulheres?”, de fato, existem vítimas mulheres, mas existem vítimas homens, e é o que acontece em outras indústrias também. Não podemos achar que mulheres são vítimas o tempo todo, que elas não consentem atos sexual, que elas nunca querem trabalhar com sexo, porque mulheres podem sim trabalhar com isso e gostar de trabalhar com isso.
O desejo sexual de pessoas que não são homens cis existe e deve ser cultivado, afinal, quanto mais os homens cis ganham espaço, mais eles se aproveitam disso para tirar direitos de outras pessoas, incluso o direito a ter relações sexuais e a ter método contraceptivos. Por isso, não deve ser algo ruim e sim visto como prazeroso para todos os lados.
Enfim, se você quiser continuar chamando de erótico, você pode. Se você quiser chamar de erótico para alguns públicos e de pornográfico para outros, você pode. Se você quiser chamar de pornográfico, você pode. A escolha é sua, o que você precisa entender é como as palavras possuem poder na nossa sociedade, afinal, a língua é uma forma de dominar um povo.
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